terça-feira, 28 de agosto de 2012

ESTACIONAMENTO

Considero os estacionamentos, particulares ou públicos, nas cidades maiores, uma necessidade real. É impossível que, quem chega primeiro, tome conta de uma vaga e lá fique, como proprietário único do espaço, por muitas horas, às vezes, todo o dia.

No centro das cidades e nas zonas de comércio, a rotatividade é fundamental e, certamente, muito apreciada pelos que dependem dela  para  suas atividades.
Já deve ter dado para perceber que não sou contra essa  fonte de renda muito útil e que até gostaria de ser proprietária  de alguma delas.

Em Novo Hamburgo, desagradam-me os azuizinhos que só aparecem na hora de multar e não estão disponíveis quando se quer comprar um cartão de estacionamento.

Já em São Leopoldo, o sistema é mais moderno. O número de parquímetros, nas ruas centrais, facilita o uso. A frase estampada no verso do cartão de regularização da via do recibo do usuário da zona azul diz bem da sua necessidade: “O que era privilégio de poucos, passou a ser direito de todos.

Que é que tenho a reclamar então? E, será que outros mais queixam-se do serviço?  Lá vai a história. Na última quinta-feira, buscando um amigo na cidade, devo ter dado pouca atenção à localização de parquímetros (afinal não sou da terra – a placa do meu carro é de Porto Alegre). Quando cheguei de volta, tinha sido multada. Estava na rua Primeiro de Março. Pensei em saldar imediatamente a dívida, para não ter que voltar só para esse fim. Fui até a Rua Grande e, na esquina do Banco do Brasil, vi uma funcionária da Zona Azul do outro lado da rua. Abri o vidro  e perguntei se poderia fazer para ela o pagamento. Ela confirmou, atravessou a rua e passou a preencher o recibo. Estendi uma nota de vinte reais e a moça assustou-se. Não tenho troco. Nem eu tinha uma nota menor. Ela não tomou nenhuma iniciativa. Perguntei onde poderíamos trocar o dinheiro. Ela não sabia. Disse que poderia esperar por mim, se eu fosse trocar, mas manteve com ela o meu recibo. E eu saí, subi uma quadra ou duas, depois entrei à esquerda, desci a Marquês do Herval e fui parando diante de  cada casa de comércio e perguntando se trocariam  R$20,00 por duas de dez. Ninguém trocou. Então, diante de uma loja de produtos de aniversário, balões e agrados para crianças, resolvi comprar uma bugiganga e me libertar do problema. Voltei à Rua Grande, parei ao lado do Banco do Brasil e passei a tocar a buzina, porque a moça não estava à vista. Finalmente apareceu junto com um policial que também tinha atendido às minhas buzinadas. Vim para casa aborrecida com o incidente. Vale a Zona Azul que permite a rotatividade, mas é inadmissível que os funcionários não tenham como facilitar a vida de quem estaciona e está disposto a pagar por isso, mas gostariam de ter mais rapidez na hora do pagamento. Que tal, imitar Gramado onde os funcionários tem à mão uma pochete com trocos, notas e moedas para atender a quem nem é da terra e não tem obrigação de trazer o dinheiro trocado para pagar e, mais ainda, saber os valores com que deverá fazê-lo? Pesquisei e descobri que até os da cidade reclamam.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MATAR AS SAUDADES

No último sábado, dia 11, participei de uma festa de reencontro de ex-alunas do Colégio Santa Catarina. Algumas eram da turma do último ano do ginásio, outras, formandas da escola Normal. Lá estavam também alguns professores: as Irmãs Firmínia e Inês, Professor James Ludwig, de Educação Física, Marlene Wenholz de Matemática e eu, de Português e Literatura. Os abraços, as recordações, foram a tônica das conversas. É claro que as que me diziam respeito ficaram-me mais claras. Elas lembravam e eu também que eram minhas alunas no ano de meu casamento, que a turma me presenteara com uma torradeira, as danadinhas contavam que examinavam, a cada dia, minhas meias de nylon e que jamais havia um fio puxado e sabiam tudo com mais clareza do que as mestras presentes: a música da Irmã Inês, e energia, o rigor da Irmã Firmínia, a classe da Marlene na matemática, meu piano, o teatro, as canções. Muitas tinham ido à Igreja da Piedade para ver a professora vestida de noiva. Uma tarde encantadora.


Esse tipo de confraternização tem sido comum. O “25” fez 50 anos e se fez uma grande festa, assim como se editou AS MEMÓRIAS DO JULHÂO – Histórias que contam histórias do colégio “25 de Julho” com textos de alunos e professores – a festa coordenada por professores. Este ano, os alunos resolveram fazer sua parte e fizeram uma festa muito alegre que teve a Ginástica como palco e a turma optou inclusive pelo cardápio do Bar do seu Amaral e do professor Rubens. A comemoração da minha turma do curso de professoras aconteceu no próprio colégio. Tivemos almoço, brincadeiras mil, missa, coquetel servido pelas Irmãs e foram presenças especiais a nossa professora Olga Kroef, de Educação Física, com seus quase 90 anos e a da nossa paraninfa Zilda Maria Godinho Ribas, grande amiga, exemplo para todas as suas afilhadas durante todo o exercício da profissão.

Ultimamente, tenho recebido uma infinidade de e-mails e mensagens no face Book dos alunos do Pindorama com o título Caminhos do Pindorama - Peregrinações nos anos 60 - trabalhei lá de 66 a 68 e a turma fala das suas memórias, bailes do Juvenil, festivais de música popular brasileira da Record, tecidos da época que não se precisava passar, gravadores e microfones da época, CDS, LPs, compactos; (Palavras de Walter Merino - Copiadas de Vinícius de Moraes) justificam essas festas que, com certeza se repetirão muitas vezes e por muita gente - Elas marcam uma época maravilhosa que vale a pena lembrar.
  "Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações, pois boas lembraças, são marcantes,e o que é marcante nunca se esquece! Uma grande amizade mesmo com o passar do tempo é cultivada assim!" (Vinícius de Moraes)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

SILÊNCIO BARULHENTO

Esta expressão é de autoria da minha sogra, uma pessoa a quem amei muito, que me ensinou muitas coisas, por quem tive a certeza de ter sido muito amada também. Só estava feliz quando via a casa cheia, estava sempre inventando alguma coisa gostosa  para adoçar a vida de todos, a piada era leve, o riso fácil, o tempo passava muito rápido na sua companhia. O silêncio e a solidão incomodavam. Segundo sua filosofia, o silêncio conseguia ser muito mais ruidoso do que o próprio barulho dos risos, conversas, brincadeiras. Hoje, descobri, mais um vez, o que era o silêncio barulhento de que falava, cada vez que a  filha e os netos terminavam as férias e voltavam pala a distância maior, longe dela.

Nosso  neto Alex deu-nos a alegria de passar conosco suas férias de verão. Chegou como uma lufada de vento, habituou-se aos hábitos da  família e trouxe alterações aos nossos costumes também, uma língua atrapalhada quando tentava falar português, a curiosidade das coisas do  Brasil. Os dois meses de sua permanência passaram voando e a casa que, então, estava permanentemente cheia de sons, de risos e de  música que ele descobriu ao piano com a ajuda de Rodrigo, um ouvido privilegiado que nos surpreendeu, hoje estão faltando. E o silêncio barulhento instalou-se na casa.

Quem desconhece, não sabe que nove maravilhosos netos encantam a nossa vida, que cada um que chegou trouxe a mesma alegria e capacidade de nova vida e esperanças, que as cabeças loiras ou morenas nos deixam fascinados e sua inteligência nos envaidece demais. As visitas de vez em quando são ótimas. Mas, para eles, já perdeu a graça o dormir na casa do vô e da vó e por isso essa visita comprida do Alex nos deixou tão felizes. Dar bom dia cada dia, o beijo antes de dormir, ao sair e voltar, o sorriso, a boa vontade em todos os momentos deixaram muita saudade. Isso é o silêncio barulhento. Coisas de vó. Desculpem o desabafo.